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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

À Conversa com... PAULA VIDIGAL



Entrevista com... Paula Vidigal

Nesta entrevista com mais um aderente do CAB (a 5ª) e a primeira do ano que agora começa não queremos deixar de voltar a reafirmar que os vossos comentários são bem-vindos.



viajantedecasascostas


Paula Vidigal

CABQuando começou para si o autocaravanismo? Por influência de que aspecto? Com que viatura? Se tivesse que convencer alguém amigo a adoptar o autocaravanismo, que argumentos utilizariam?

Paula Vidigal - Ter uma autocaravana começou por ser um sonho a dois, mais ou menos há treze anos atrás aquando de uma viagem às Astúrias-Picos da Europa. Tínhamos alugado uma casa de Turismo Rural e para conhecermos bem a zona, chegávamos a fazer por dia mais de 100 kms. A luz acendeu-se, quando no alto da montanha, a caminho dos Lagos Enol e Ercina (um dos sítios naturais mais fantásticos que conheço), vimos uma autocaravana. O sonho havia nascido. Seis anos depois, sensivelmente, concretizámo-lo. Nada sabíamos de tais lides, (apesar de termos começado as nossas férias em canadianas, iglos e ainda numa caravana) daí comprarmos sem grandes orientações nem pistas, aquela que ainda hoje é a “Casinha”. Uma Sky 2002, fabrico português, porque era, na altura, das mais baratas do mercado, o que para nós já era uma grande aventura. Depois disso já dois casais amigos compraram AC por nossa “culpa”, porque a todos falamos das nossas viagens com os olhos a sorrirem, nem é preciso argumentar muito. Aliás, uns deles passaram connosco um fim-de-semana antes de comprarem a “Casinha” deles e renderam-se à liberdade, ao espírito de relaxe e comodidade vividos.



CABQue países já visitou? Que locais aconselha? E eventos? Monumentos? Cidades? E porquê? E onde pernoita normalmente? Como escolhe os locais?

Paula Vidigal - Começámos por Espanha (a nossa viagem de baptismo foi até Granada), sempre intercalada com Portugal, claro. Mas cedo nos aventurámos até França, continuando por Itália, e depois mais para cima: Luxemburgo, um cheirinho de Alemanha e Suíça; Bélgica; Holanda; Inglaterra.

É-me tremendamente difícil fazer uma selecção do género “top mais”. Daquilo que já visitei, não me parece que tenha considerado algo secundário ou menos belo ou desinteressante. Em Espanha, decididamente a Andaluzia – Sevilha, Córdova e Granada. Do outro lado, Barcelona, obrigatoriamente. A norte, as Astúrias sempre, ou não tivessem sido elas o nosso mote.

Em França, toda a zona da Alsácia. Algumas localidades da Bretanha, Dinan, como outras mesmo ali ao lado – o Mont St – Michel – pela sua grandiosidade e a sensação de magia que é poder “morar” mesmo à sua frente, no seu “quintal”.

Em Itália, Veneza, Florença e a zona da Toscana.

Na Bélgica, Bruges, um cenário irreal que merece sempre uma (re)visita. Na Holanda, sobretudo a zona de Zeeland. Em Inglaterra, a viagem no ferry e o regressar ao passado shakesperiano em Stratford-upon – Avon…

Parece evidente que coloquei a tónica em zonas com menor densidade populacional, vilas, paisagem natural. De facto, as tendências dos quatro (somos 4 cá nesta casa sobre rodas) vão sempre para locais mais pacatos, onde os factores natureza, pitoresco têm peso considerável.

Sempre que podemos, optamos por zonas fora de parques de campismo. Procuramos as zonas para AC e, não existindo, procuramos outras AC em praças, parques de estacionamento. Ficar ao lado de outros que acreditamos estarem no mesmo espírito, transmite-nos mais segurança.

É claro que há grandes cidades que são da nossa preferência e outras que nunca nos desiludiram: Paris, Londres, Madrid, Barcelona, Amesterdão. Outras não tão grandes: Strasbourg, por exemplo. Nas primeiras, à excepção de Barcelona, optámos sempre por campings e ficámos bem servidos, apesar de longe do centro, jogámos pela segurança.

Os nossos passeios tentam abarcar um pouco de tudo: monumentos, em primeira instância; museus (sobretudo de pintura) – Miró e Picasso em Barcelona, casa de Anne Frank , em Amesterdão, casa de Sherloch Holmes em Londres, Museu d’ Orsay, Paris; as feiras, mercados…; mas também e muito, o andar sem destino pelas ruas e praças, sentindo o pulsar da vida, das pessoas. Em Londres quase que basta isso, em Hyde Park, em Convent Garden, nas lojas, ouvir a suave e aristocrática melodia do “british accent” já é uma dádiva que torna a viagem ganha.

De todas as vezes, antes de partir, ficamos sempre indecisos até onde vamos, sobretudo nas “férias grandes”. Lá no fundo há sempre uma certeza, mas até uma semana antes de partir há sempre duas cartadas na mesa. Mas faz-se sempre uma pesquisa, sobretudo na net, consultando possíveis locais de pernoita fora de campings. Estes servem, em última análise, ou em caso de necessidade, para lavar a roupa se viajamos durante 3 ou 4 semanas.






CABQue país prefere visitar de autocaravana? E porquê? Que facilidades mais o motivam? E em Portugal que regiões prefere? E em que época do ano? Qual o orçamento diário (2 pessoas) que recomenda a quem se abalance a ir ate ao estrangeiro?

Paula Vidigal - França e Alemanha já estão catalogadas como o paraíso do autocaravanismo. Em França não há vila ou cidade que não tenha uma zona para AC, sempre com as comodidades necessárias a este tipo de turismo (sítio para despejos, água e luz), às vezes gratuitas, outras por somas quase simbólicas. A zona que aconselho e à qual voltarei um destes dias é a Alsácia, sobretudo pelas suas vilas pitorescas e coloridas, um cenário fantástico que lembra aguarelas. Ainda por cima, porque nessa zona de França as vilas intervalam com outras igualmente fantásticas do lado alemão. De um salto visitam-se dois países, ouvem-se duas línguas soberbas, porque a musicalidade das línguas é vital nas viagens… poder ouvir os “nativos”, poder vê-los no seu habitat, nas suas ruas, praças, nas suas vidas… é um bom alimento para o espírito.

Ao longo do Mosel, em prados verdejantes com o rio ao lado, as vilas alemãs têm sempre uma alcatifa verde para receber AC, na altura pela mera quantia de 5€ diários. Um luxo comparado com tantos campings que por aí existem. É que, repare-se, há muitos campings que não nos oferecem nada de mais: já tenho luz, sanita, duche, só preciso mesmo de água e de um sítio para despejar, qualquer vila deveria (e nesses dois países fazem-no) ter estes serviços básicos. Porquê pagar 30 e tal euros por um depósito cheio e mais dois vazios, em parques que muitas das vezes nem essas condições têm e se assemelham a guetos? Outros, felizmente são um luxo e neles pago para recarregar baterias, geralmente nesse dia descansamos, mergulhamos numa piscina, porque regra geral as férias são sinónimo de descoberta, exploração, dores de pés, bom cansaço físico. Daí a escolha da autocaravana: ficar 15 dias no Algarve à beira-mar, seria sinónimo de cansaço psicológico e desgaste vital.

Infelizmente, por questões profissionais as férias grandes reduzem-se sempre aos últimos dias de Julho e Agosto, havendo ainda a possibilidade de uns dias no Carnaval e Páscoa. Fins-de-semana são esporádicos. Portanto, estamos sempre dentro de todas as épocas altas. Uma viagem de 3, 4 semanas para quatro pessoas ficará pelo preço de uma viagem de uma semana, de avião, ao estrangeiro. Mais um motivo que nos fez abraçar esta escolha…

Portugal não é tão bom anfitrião como França, estamos dela a anos-luz, mas há sempre um canto fora dos campings onde é possível pernoitar em segurança.

O nosso destino eleito é a costa alentejana, com grande mágoa por a zona de Porto Covo ser agora tão pouco amável com este tipo de turismo. Temos vindo a diminuir as visitas, quem perde é o comércio local.





CABComo participa a família deste seu gosto? Colaboram? Escolhem destinos? Estão sempre prontos a partir ou resistem às viagens? ‘ E depois fazem resumos ou relatos do que observaram? Coleccionam fotografias?

Paula Vidigal - Os filhos cresceram nesta vida, pouco se recordam (especialmente o mais novo) do tempo das tendas, caravana, hotéis, casas alugadas. Às vezes gostariam de variar, mas creio que subscrevem que a Casinha é mesmo a nossa casa e que trocá-la por outro método seria perder qualidade de férias.

Às vezes refilamos porque não conseguimos estacionar, ou porque demoramos mais do que o desejável. Lembro-me, por exemplo, de “conhecer “ o Mónaco sentada no banco do co-piloto. Frustrante!

Desde a 1ª viagem que redigimos um “diário de bordo”. Religiosamente, dia após dia, em cada viagem. Regra geral sou eu que escrevo, como aqui e agora. Depois veio o blogue, mas sou eu, que tenho a paixão das letras, que redijo e teclo. As fotos foram inicialmente a dois, agora são a três. O quarto está no bom caminho.



CABQue motivos de satisfação ou insatisfação a família encontra nas viagens de AC? Quais as queixas mais frequentes? Emprestaria ou alugaria a sua autocaravana a alguém? Em que condições?

Paula Vidigal - As queixas são inevitavelmente sentir que o tempo voou e já acabou. Pelo menos para os dois mais velhos fica sempre a sensação do incompleto e o sonho de estarmos reformados para fazer de cada viagem uma viagem sem tempo.

Se a AC fosse mais pequena, seria mais fácil a questão do estacionamento, já falei disso. Sonhamos, portanto, com uma nova Casinha e enquanto sonhamos mantemos viva a chama, não é assim com qualquer sonho?

Também gostaria que o meu país e alguns outros locais (de Espanha, Holanda) tivessem mais zonas para AC. Às vezes é complicado não ter onde verter as águas sujas ou o WC.

Não sei se seria capaz de emprestar a minha “casinha”, tenho sérias dúvidas, apesar de meio mundo já lá ter dormido, almoçado, jantado… mas connosco lá dentro.



CABA sua viatura quanto consome? Que velocidades atinge? Que autonomia tem? Que avarias já teve? Como as resolveu? O que lhe dá mais satisfação na viatura e bloco de alojamento? O que mudaria se pudesse?

Paula Vidigal - Consome 11 l. Chega aos 130, 140 mas raramente passamos dos 100, 120. Tem poucos cavalos, logo morre um pouco nas subidas.

Avarias… acidentes… já passámos um pouco por tudo: ficar sem travões, sem direcção assistida, sem bateria, sem sistema eléctrico. A mais sui generis foi um portão basculante que se enfiou dentro da parte lateral… tudo se tem resolvido, mas na altura a viagem fica assombrada e o ambiente soturno.

Já mudámos os beliches, acrescentando-os porque as crianças crescem e tínhamo-nos esquecido de tal. Já construímos um exaustor, já inventámos o nosso sistema porta-bicicletas.

Neste momento, mudaria para uma mais pequena e optaria por uma cama de casal ao fundo e um porão para colocar as biclas, evitando assim mais uns cms na traseira.


 
CABUsa a Net na AC? Para trabalho ou só para lazer? E usa GPS? Que modelo? Que recomenda? Televisão? Usa parabólica? Normalmente a que horas acaba a sua jornada? E quantos dias (horas) fica num mesmo local? Quantos km em media percorre por dia? Viaja com animais?

Paula Vidigal - Raramente usamos net. Vemos tv e filmes através do pc, geralmente no Inverno porque anoitece mais cedo. No Verão nem tempo temos para isso, a não ser que chova … O GPS – Garmin – é o nosso amigo e às vezes inimigo.

Não aguentamos grandes tiradas de alcatrão. Talvez nos dois primeiros dias, especialmente quando temos de atravessar Espanha. No 1º dia fazemos por chegar a França ao anoitecer ou fim da tarde. Se temos de percorrer mais Kms, por volta das 18h começamos à procura de um poiso para descansar e visitar.

Quando chegamos ao país destino, abrandamos. Não contabilizamos muito. Vamos estando, de acordo com os pontos previamente delineados. Às vezes com desvios. A única preocupação é que temos tempo limite e há que fazer o caminho de volta… e Espanha é muito grande… desejamos sempre morar no Norte de França, Suíça, Alemanha, para poder estar mais perto de tudo.

Como já referi, somos apenas quatro, já pensámos muito em ter um cão, mas acabo sempre por ter a certeza que não é espaço para autocaravanistas de quatro patas, apesar de ver os outros e achar muita graça.


CABQue acha da estruturação do movimento autocaravanista? É sócio de algum clube?

Paula Vidigal - O movimento autocaravanista tem poucas raízes em Portugal, pouca representatividade, pouca adesão e sobretudo muitas lutas internas e externas que pouco me inspiram e muito me desagradam. Sou aderente do CAB, mas não sou sócia de clube algum. Ah! Fui sócia (como já não pago cota há uns anos já não sei se o continuo a ser) do Clube de Campismo de Évora, desde os nossos primórdios de campismo em casa de lona e fecho de correr.


CABComo define o autocaravanismo?

Paula Vidigal - Como desde miúda sempre me fascinou a vida nómada dos artistas de circo, considero que ter uma AC foi a forma mais próxima de ser circense. Falta-me o lado artístico e o lado perene das viagens, mas consegui o lado vadio de poder ficar onde me apetece consoante os humores, as condições, as cores, o ar, a terra, as gentes. É também a forma que mais me permite viajar, doutra forma estagnaria num apartamento alugado, basicamente em Portugal, num rotineiro passar de dias.

Neste momento é já uma forma de estar. Às vezes imagino que ganho o totoloto e posso finalmente ir a outros continentes e países mais exóticos. Mas depois penso logo: “E como chegava lá de autocaravana?”



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

À Conversa com… HADDOCK

Entrevista com… HADDOCK
Nesta quarta entrevista que estamos a efectuar com aderentes do CAB vamos ouvir as opiniões do responsável do Blogue “Haddock on the road”

Como repetidamente afirmamos os vossos comentários são bem-vindos.


Haddock


CABQuando começou para si o autocaravanismo? Por influência de que aspecto? Com que viatura? Se tivesse que convencer alguém amigo a adoptar o autocaravanismo, que argumentos utilizariam?

Haddock
– Somos novatos nesta actividade. No início deste ano de 2009, nem me consigo lembrar como, começámos, eu e a minha parceira, a pensar que seria uma boa maneira de ocupar o tempo livre, praticando este tipo de turismo itinerante. De notar que nenhum de nós tinha qualquer “cadastro” na actividade: nem campismo nem caravanismo.

Tínhamos pensado em começar por alugar uma AC para experimentar. Depois de muitas consultas na Internet e de algumas (poucas) conversas com auto caravanistas, visitámos a Nauticampo e aí decidimos a compra directa sem mesmo passar pelo período de aluguer.

A escolha recaiu numa CI Riviera 55P, sobre base Fiat 130 HP, igual à do companheiro De Matos.

O principal argumento que me levou a adoptar este tipo de turismo é o da liberdade que proporciona.

CABQue países já visitou? Que locais aconselha? E eventos? Monumentos? Cidades? E porquê? E onde pernoita normalmente? Como escolhe os locais?

Haddock – Para além do nosso Portugal, a vizinha Espanha, França e Bélgica. Locais preferidos até agora: Cáceres e Mérida, em Espanha; Avignon, Vaison-la-Romaine e o Mont St. Michel em França. Bragança e a sua magnífica AS, a praia fluvial nas Minas de S. Domingos, o PC do Inatel em Bragança...etc., etc., em Portugal.

Pernoitamos normalmente em Parques de Campismo ou em áreas de Serviço para AC que nos ofereçam condições de segurança. Invejamos os companheiros que conseguem fazer viagens inteiras sem recurso a PCs mas ainda estamos muito crus (ou somos muito comodistas) para lhes seguir o exemplo. Logo que podemos, gostamos de pôr as cadeiras na rua, se possível a mesa e fazer um grelhado. Como não fazemos isso fora de PCs.....

Antes de cada viagem fazemos um planeamento rigoroso, o qual raramente é seguido. Mas como planear já é viajar!!!!

Neste momento encontro-me já em fase adiantada de planeamento de uma viagem a Marrocos que deve durar cerca de dois meses e ter lugar na Primavera do próximo ano; mesmo que não a faça, o gozo do planeamento já ninguém mo tira.

Além disso estamos de saída para um périplo pela Andaluzia que, se a meteorologia ajudar, vai terminar na Amieira no encontro do CAB.
CABQue país prefere visitar de autocaravana? E porquê? Que facilidades mais o motivam? E em Portugal que regiões prefere? E em que época do ano? Qual o orçamento diário (2 pessoas) que recomenda a quem se abalance a ir ate ao estrangeiro?

Haddock – Gosto muito de “vadiar” em França, que já conhecia bem, mas sem a liberdade proporcionada pela AC. Em França a vida dos autocaravanistas está muito facilitada; é rara a autarquia que não proporciona facilidades de serviços e de pernoitas.

Em relação a Portugal estamos a descobrir cantos e recantos que nos tinham passado despercebidos até agora. Que sensação de paz dormir no parque de estacionamento em Rio de Onor, adormecer e acordar ao som dos sinos da pequena igreja da terra e das ovelhas saindo para o pasto!

Em relação a orçamento volto a reiterar a nossa pequena experiência na actividade e também alguma gula que nos faz frequentar, demasiadamente, alguns restaurantes, adegas e outros locais de compra de produtos gastronómicos locais. Na nossa viagem à Bélgica fizemos uma média de 150 €/dia, mas analisando bem as contas existem certamente despesas que poderiam ser evitadas com facilidade. Difícil dar resposta cabal a esta pergunta pois os gostos das pessoas são muito específicos (e não discutíveis).

CABComo participa a família deste seu gosto? Colaboram? Escolhem destinos? Estão sempre prontos a partir ou resistem às viagens? ‘ E depois fazem resumos ou relatos do que observaram? Coleccionam fotografias?

Haddock – A minha “co-équipière” está sempre pronta a partir. Os destinos têm sido escolhidos de comum acordo mas, dado que temos muito tempo disponível, privilegiamos as viagens longas. Os resumos das viagens têm sido publicados no Blog “Haddock on the Road” o qual mais que um blog é um diário das nossas actividades de turismo itinerante.

As fotografias, digitais, são guardadas num disco duro dedicado, sendo algumas delas publicadas no blog.

CABQue motivos de satisfação ou insatisfação a família encontra nas viagens de AC? Quais as queixas mais frequentes? Emprestaria ou alugaria a sua autocaravana a alguém? Em que condições?

Haddock – Até agora o “Livro de reclamações” está virgem de queixas.

Emprestar ou alugar a minha AC está fora de questão.

CABA sua viatura quanto consome? Que velocidades atinge? Que autonomia tem? Que avarias já teve? Como as resolveu? O que lhe dá mais satisfação na viatura e bloco de alojamento? O que mudaria se pudesse?

Haddock – O consumo é bastante variável e depende principalmente do “juízo” que tiver em relação ao tipo de condução. Julgo que andarei à volta dos 10 litros aos cem (+ ou -1). A autonomia não é grande porque os construtores optaram por economizar peso e colocaram neste modelo o tanque de 60 litros. Por segurança, mais ou menos aos 450 km tem de ir à bomba.

Quanto a avarias tive o choque de ver o veículo rebocado no dia em que me foi entregue: um mau aperto dos tubos do líquido da direcção assistida fez com que o perdesse. Facilmente resolvido mas aborrecido.

Nos alojamentos, o frigorífico tem dado cuidados na sua vertente de funcionamento a gás. Depois de várias idas ao representante o caso parece estar agora resolvido.

Apesar da minha desconfiança de princípio com a marca Fiat não tenho até agora razões de queixa. A potência é amplamente suficiente.

Agrada-me a disposição interior da viatura e a qualidade do mobiliário é satisfatória. Estamos muito contentes com o aquecimento Webasto a gasóleo.

Estou a instalar uma roda sobressalente pois não me sentia à vontade ao partir para certas viagens sem ela.

A única coisa que me faria falta seria um pouco mais de espaço para bagagem; mas talvez seja melhor assim.

CABUsa a Net na AC? Para trabalho ou só para lazer? E usa GPS? Que modelo? Que recomenda? Televisão? Usa parabólica? Normalmente a que horas acaba a sua jornada? E quantos dias (horas) fica num mesmo local? Quantos km em media percorre por dia? Viaja com animais?

Haddock – O uso da Net é quase diário desde que existam condições para tal. Correio electrónico, informação, gestão da vida corrente tudo é feito pela Internet.

Um Tomtom GO 730 carregado com diversos POI respeitantes a PCs e AS ajuda-nos nas viagens e a encontrar os locais de interesse para visitar e para pernoitar. Para quem quiser ir para Marrocos ele não serve; tenho assim preparado um Garmin 276C em que vou colocar a cartografia de Marrocos.

Temos televisão, sem parabólica; tem sido utilizada quase exclusivamente para ver os telejornais.

Gostamos de começar e acabar as nossas jornadas bastante cedo; o mais tardar às 16 horas estamos no local de pernoita.

O tempo de permanência em cada local depende do que há para ver ou fazer nesse local. Desde a simples pernoita até acampamentos de uma semana para fazer termas no Gerês ou estadias de quatro dias para visitar com pormenor uma cidade que nos encante como Avignon.

A kilometragem máxima que já fiz num único dia foi de 630 km mas, habitualmente, é muito menos, raramente ultrapassando os 350.O nosso companheiro de quatro patas o “Swing”, um Cotton de Tulear com nove anos, faz parte integrante da equipa.

CABQue acha da estruturação do movimento autocaravanista? É sócio de algum clube?

Haddock – Julgo que a “estruturação do movimento autocaravanista” praticamente não existe. Como principiante, corri a associar-me ao Clube Português de Autocaravanas (CPA); parecia-me lógico que num país tão pequeno um clube com esse nome federaria os interesses da actividade. Até agora nada. Sou seguidor do Portal Camping Car Portugal e membro do CAB.


CABComo define o autocaravanismo?

Haddock – Olhando retrospectivamente para o ano em curso felicitamo-nos pela decisão tomada.

Se tivesse de escolher uma única palavra para definir o autocaravanismo diria: Liberdade.



domingo, 1 de novembro de 2009

À Conversa com… SECO

Entrevista com…SECO


Na continuação das entrevistas que temos vindo a efectuar com aderentes do CAB deixamos os nossos leitores com o pensamento do autor do Blogue “MOBILE”.

Os vossos comentários são bem-vindos.


MOBILE

http://seco-mobile.blogspot.com/

Seco

CABQuando começou para si o autocaravanismo? Por influência de que aspecto? Com que viatura? Se tivesse que convencer alguém amigo a adoptar o autocaravanismo, que argumentos utilizariam?

Seco – O Autocaravanismo ou a vontade de o praticar começou há 10 anos quando comecei a imaginar que seria uma excelente forma de viajar quando viessem os tempos de reforma!

Comecei então a comprar todos as revistas de AC que encontrava e lia de fio a pavio, o que me permitia conhecer o equipamento, com segurança, com todos os prós e contras.

Passei igualmente a participar em fóruns na internet, nacionais e franceses, o que permitia conhecer os problemas técnicos e práticos mas igualmente os problemas que se colocavam de uma forma global aos autocaravanistas.

Mas o bichinho não resistia e a vontade de ensaiar era grande…

Assim, decidimos um aluguer. Experiencia óptima com uma (agora) pequena Knaus 500 D. Experiencia inolvidável e que confirmou tudo o que tínhamos lido!

Bom depois foram mais alugueres em diferentes tipos de configuração, mas sempre Hymer pois tinha sido a marca eleita.

O “caderno de encargos” que tinha feito inicialmente foi-se alterando, adicionando pormenores e retirando ideias que não tinham interesse prático.

Bem, mas tudo estava tranquilo pois os custos da escolha eram demasiado levados até que na Nauticampo do ano passado houve uma paixão súbita por uma AC conhecida mas não vista em Portugal – a Rápido.

Realmente estava de acordo com o caderno de encargos, bons acabamentos, e muito mais barata que a Hymer sonhada.

Feitas as contas pela contabilista e Directora Financeira lá de casa chegou-se à conclusão de que era possível usufruir da AC antes dos 65 anos!

E fez-se o negócio e a “menina” chegou em finais de Julho tendo depois que esperara pela montagem dos acessórios previstos no caderno de encargos e a matrícula chegou a tempo de gozar o feriado do 15 de Agosto.

Trazê-la para a porta de casa foi uma experiência inesquecível: Não era alugada! Era nossa!


CABQue países já visitou? Que locais aconselha? E eventos? Monumentos? Cidades? E porquê? E onde pernoita normalmente? Como escolhe os locais?

Seco – Temos saído praticamente todos os fins de semanas. Férias apenas as de Outubro do ano passado e o fds de Junho pois este ano não houve férias….

A sensação de liberdade. a possibilidade de circular calmamente e de usufruir por mais tempo uma paisagem ou uma cidade, o circular por vias secundárias e virar para sítios inimagináveis, são valores que só a AC nos faculta! Esta tem sido a explicação que tenho encontrado para dar aos meus amigos espantados com esta minha actividade face ao meu tradicional comodismo de ir e ficar num hotel ou em casa na praia!!! No fundo tenho um hotel de 5 estrelas. Alem de que, apenas assim podemos conhecer os povos e os seus hábitos.

Não temos saído muito para o estrangeiro pois não podendo ter mais de 2 semanas seguidas limita-nos e tolhe-nos os movimentos.

Mas a Galiza, as Astúrias e Cantábria, Pirenéus franceses, Andorra e Catalunha foram alguns dos destinos visitados. Aconselho (quando já não há miúdos a condicionarem-nos) a escolha de um local calmo e portanto chegar cedo para ter opções de escolha.

Quando tal não é possível a sorte que dite as suas regras…

Apenas em grandes cidades em que teoricamente os riscos são maiores, optamos por parque de campismo. De resto, sozinhos, isolados ou numa povoação a AC estaciona

Normalmente estabeleço um itinerário de base que tem duas ou três referências a não perder! São apenas linhas gerais evitando datas fixas de modo a permitir a liberdade total.

É sempre difícil de aconselhar este ou aquele destino pois depende muito do gosto de cada um.

Nós preferimos locais mais calmos, por vezes isolados de modo a podermos “recarregar as baterias”

CABQue país prefere visitar de autocaravana? E porquê? Que facilidades mais o motivam? E em Portugal que regiões prefere? E em que época do ano? Qual o orçamento diário (2 pessoas) que recomenda a quem se abalance a ir ate ao estrangeiro?

Seco – Sem dúvida que a França é o país que mais infra-estruturas tem para as AC e portanto é mais fácil encontrar um local de pernoita e área de serviço.

Mas o Cabo Norte é uma referência mítica que eu gostaria de alcançar.

Para nós todas as épocas do ano são boas para viajar mas a Primavera e o Outono são as estações mais apetecíveis pois é nesta ocasiões que o Alentejo e o Douro mais bonitos estão.

CABComo participa a família deste seu gosto? Colaboram? Escolhem destinos? Estão sempre prontos a partir ou resistem às viagens? ‘ E depois fazem resumos ou relatos do que observaram? Coleccionam fotografias?

Seco – A família (agora somos só dois em casa), ao princípio tinha os receios habituais de dormir “sabe-se lá onde”. Agora além de estar sempre pronta dá uma ajuda imensa nas “enrascadas” em que sou perito em arranjar quando me meto por estradas estreita ou ruas igualmente “largas”.

Eu mantenho (com atraso) um road bok mas as notas tiradas pelo caminho, é ela que as aponta.
Fotografias, hoje são principalmente digitais pelo que estão guardadas em 3 computadores mais um disco rígido exterior, não vá o diabo tecê-las…

Como disse, a minha mulher está sempre pronta a partir e também participa na escolha do destino (não quero praia, quero o campo!).

CABQue motivos de satisfação ou insatisfação a família encontra nas viagens de AC? Quais as queixas mais frequentes? Emprestaria ou alugaria a sua autocaravana a alguém? Em que condições?

Seco – O que sinto mais falta é a de áreas de serviço embora num fim-de-semana não haja problema pois temos autonomia de água para 3 dias, contudo em viagens mais longas temos que ter mais atenção.

A minha casa com rodas jamais poderá ser alugada ou emprestada (mesmo aos filhos).



CABA sua viatura quanto consome? Que velocidades atinge? Que autonomia tem? Que avarias já teve? Como as resolveu? O que lhe dá mais satisfação na viatura e bloco de alojamento? O que mudaria se pudesse?

Seco – O meu Fiat 2.3 não é muito glutão! Em estradas secundárias contenta-se com 8.5/9 l/100 km mas na Auto-estrada já vai para os 10.5./11 l /100 km. Tem uma autonomia de 600 a 700 km e como já referi a água dá para 3 dias. Quanto a energia não há problema pois as duas baterias de 90 Ah e o painel solar garantem o descanso acrescentado de um gerador Yamaha EFS2400is para o ar condicionado e para recarregar baterias se necessário.

Até agora nada de avarias. Apenas o bloqueio do sistema de alimentação por a circulação em piso irregular ter sido interpretada pela centralina como acidente!

O pior foram as 4 horas para descobrir o botão de rearme….

Apenas mudava a caixa para uma automática. Fica para a próxima.

CABUsa a Net na AC? Para trabalho ou só para lazer? E usa GPS? Que modelo? Que recomenda? Televisão? Usa parabólica? Normalmente a que horas acaba a sua jornada? E quantos dias (horas) fica num mesmo local? Quantos km em media percorre por dia? Viaja com animais?

Seco – Trazemos na AC os computadores portáteis com as respectivas “pen “ para internet móvel.

Alem do correio permite tirar dúvidas sobre trajectos a usar ou monumentos a visitar.

Normalmente e em fds a net é só para lazer nas em férias é inevitável a consulta do mail profissional.

Tenho um GPS “velhinho” Garmin Street Pilot 2620 mas que tem toda a Europa bastante actual. Em Portugal há umas estraditas para assinalar mas tudo bem.

NA AC como de resto e casa vemos muito pouca Tv. Mas o ecrã plano também dá para ver as notícias e os DVDs do momento.

A parabólica considero (no meu caso) um investimento não rentável pois já não tenho criancinhas e entendo as línguas dos países visitados ou em perspectiva de o serem.

Tento acabar a jornada ainda de dia para não ter dúvidas de onde vou ficar, O tempo de permanência num local depende. Por vezes é todo o fds outras é apenas uma noite ou duas se o local valer a pena pela paisagem ou pelos monumentos.

Tento, em férias, fazer entre 80 e 200 km por dia.

Não temos animais na AC pois o gato fica em casa!
CABSabemos que foi fundador e é Coordenador da Comissão Instaladora do MIDAP. Porque se justificou a criação deste Movimento? Que diferencia o MIDAP? Que o motivou a aceitar a Coordenação da Comissão Instaladora do MIDAP?

Seco – O MIDAP nasceu em circunstâncias ligadas à contestação do DL que pretendia que ficássemos apenas em Parques de Campismo.

Constitui-se como plataforma em que todas as entidades ligadas ao autocaravanismo e ao turismo podem ter acento e lutar por melhores condições para o autocaravanismo.

Muito se conseguiu, muitas vezes sem resultados imediatos mas lançando a semente que vai germinando e permitirá que as Câmaras tenham um interesse crescente pelo fenómeno

A fileira vai engrossando e os clubes e a Federação começarão também a sair da letargia actual e, com o esforço de todos, conseguiremos melhores condições para o autocaravanismo.

Os esforços do MIDAP que levaram à recepção pela subcomissão de turismo da comissão de economia da AR e o consequente desenvolvimento do projecto de lei, da sua admissão à discussão e finalmente reprovação política são o exemplo de como o s esforços concertados conduzem a resultados positivos.

Aceitei participar activamente neste Movimento porque acredito na coerência.
Não nos podemos remeter à retórica de sofá mas temos que fazer das palavras acções e assumir em plenitude de cidadania as nossas convicções muito embora se saiba que não faltarão críticos com quem podemos sempre aprender para o bem e para o mal.



CABQue acha da estruturação do movimento autocaravanista? É sócio de algum clube?

Seco – Não sou sócio de nenhum clube, muito embora pense que espaço para muitos clubes e então possa vir a pertencer a algum.


CABComo define o autocaravanismo?

Seco – Julgo que é tempo de haver uma definição clara entre o que é campismo com autocaravana e touring em autocaravana.
Os conceitos são diferentes mas um mesmo elemento pode ora praticar uma modalidade. Ora outra. Esta aparente contradição poderá ser o cerne da questão e a real distinção da situação actual.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

À Conversa com... DEMATOS

Entrevista com... Dematos

No seguimento das entrevistas que o CAB pretende efectuar com todos os seus aderentes agradecemos a disponibilidade do autor do Blogue “CATRINETAsaojuliao” para nos dar a conhecer as suas opiniões.

Os vossos comentários são bem-vindos

CATRINETAsaojuliao

http://catrinetasaojuliao.blogspot.com/

Dematos

Marinheiro na Reserva

CABQuando começou para si o autocaravanismo? Por influência de que aspecto? Com que viatura? Se tivesse que convencer alguém amigo a adoptar o autocaravanismo, que argumentos utilizariam?

Dematos – Ao contrário da grande maioria dos autocaravanistas, não vim do campismo, transitei duma grande paixão que toda a vida me acompanhou e que era o mundo das motas.

O autocaravanismo surgiu após um grave acidente de mota em Almada em Setembro de 2005e que quase me levou para “o outro mundo” ao qual após a fase de convalescença, por alguma pressão da esposa e o repensar do futuro, levaram-me a deixar temporariamente as motas, não sei até quando…

Não será necessário convencer os amigos pois estes sabem da minha satisfação, empenho e responsabilidade e sentem-se contagiados por este bichinho e o principal entrave para entrarem nesta modalidade turística tem sido o factor económico.

Com a filhota, a mesma paixão...

CABQue países já visitou? Que locais aconselha? E eventos? Monumentos? Cidades? E porquê? E onde pernoita normalmente? Como escolhe os locais?

Dematos – De autocaravana, não me tenho aventurado muito pela Europa, pelo facto da minha esposa ainda lhe faltarem 15 anos para a reforma e os 30 dias de férias serem bastante inibidores para as grandes viagens.

Espanha Itália Suíça, Mónaco e a França, sendo este o pais preferido para visitar, não só pelas excelentes condições oferecidas a quem pratica este tipo de turismo como pelo seu património histórico e paisagístico.

Ao contrário de Milão que na minha opinião culturalmente pouco tem para oferecer, Roma Florença e Paris são as cidades que mais me fascinam.

Normalmente pernoito nas AS para autocaravanas e o mais próximo das localidades a visitar. Raramente entro num parque de campismo e quando o faço é para o estritamente necessário, como seja o lavar a roupa já amontoada na garagem.

A opinião de outros autocaravanistas em fóruns internacionais é importante para a escolha dos locais a pernoitar e até a data não tenho tido problemas.Jamais pernoitaria nas AS das auto estradas do sul de França, até porque nas instalações sanitárias existe o aviso de que naquela zona existem assaltos.

Em Paris

CABQue país prefere visitar de autocaravana? E porquê? Que facilidades mais o motivam? E em Portugal que regiões prefere? E em que época do ano? Qual o orçamento diário (2 pessoas) que recomenda a quem se abalance a ir ate ao estrangeiro?

Dematos – A França pelos motivos atrás descritos e também por causa do clima que no verão, normalmente, é sempre mais ameno.

No nosso país, embora viva no litoral junto à praia, sem dúvida que o Portugal profundo é o meu preferido.

Desde a serra de Monchique passando pelo Alentejo, Beiras Interior e Trás –os- Montes são as regiões onde podemos assistir às tradições e manifestações de cariz popular mais intrínsecas do nosso pais.

No meu caso pessoal, estas viagens pelo interior são feitas por alturas do Natal e da Páscoa.

O orçamento ideal para uma ida ao estrangeiro, será entre 60/80 euros diários.

Casa em granito numa aldeia da Beira Alta

CABComo participa a família deste seu gosto? Colaboram? Escolhem destinos? Estão sempre prontos a partir ou resistem às viagens? E depois fazem resumos ou relatos do que observaram? Coleccionam fotografias?

Dematos - Embora raramente a filhota nos possa acompanhar por motivos profissionais, é a esposa que antecipadamente planeia as viagens, escolhe os itinerários e participa na elaboração dos relatos de viagem.No arquivo fotográfico de viagens em Autocaravana, constam já vários CD’s bem como alguns vídeos de acesso público no Youtube e os blog’s da Catrineta absorvem as restantes.

Catedral Notre Dame

CABQue motivos de satisfação ou insatisfação a família encontra nas viagens de AC? Quais as queixas mais frequentes? Emprestaria ou alugaria a sua autocaravana a alguém? Em que condições?

Dematos – Numa família muito pequena, só poderia haver satisfação total e em que alguma insatisfação quando se manifesta, apenas tem a ver com o levantar cedo, para partirmos para nova etapa. Seguindo o ditado popular utilizado pelo entrevistado anterior, apenas a minha filhota terá essa benesse.

Mont St. Michelle - Normandia

CABA sua viatura quanto consome? Que velocidades atinge? Que autonomia tem? Que avarias já teve? Como as resolveu? O que lhe dá mais satisfação na viatura e bloco de alojamento? O que mudaria se pudesse?

Dematos - Depende da via utilizada e da velocidade, nas estradas secundárias e a uma velocidade de 70/80 Km/h 7.9lt .,em auto – estrada à velocidade de 100/120Km/h 10.5lt

As velocidades são sempre as permitidas por lei tanto no pais como nos países visitados.Com um depósito de 95lt de gasóleo a autonomia é enorme e se tivesse que mudar alguma coisa na AC seria apenas na capacidade da garagem.

junto ao Tejo em Vila Velha de Ródão

CABUsa a Net na AC? Para trabalho ou só para lazer? E usa GPS? Que modelo? Que recomenda? Televisão? Usa parabólica? Normalmente a que horas acaba a sua jornada? E quantos dias (horas) fica num mesmo local? Quantos km em media percorre por dia? Viaja com animais?

Dematos - No país uso a Net móvel apenas por lazer e para me inteirar dos vários assuntos relacionados com o autocaravanismo e o correio electrónico.

Uso um TomTom GO 710 que com o ficheiro dos POIs do Campingcar-Infos me têm levado por essa Europa fora.

Normalmente a minha jornada de AC acaba cedo até porque gosto de chegar a tempo e horas ao local onde vou pernoitar.

Percorro normalmente uma média de 200 Km por dia e raramente fico mais que um dia no mesmo local.

Brevemente o KIKO, um gato traçado de persa com rafeiro que foi encontrado abandonado junto ao convento de Mafra e oferecido à minha filha, vai passar a fazer-nos companhia.

KIKO

CABSabemos que foi fundador e é Presidente da Direcção do CAS (Clube Autocaravanista Saloio). Porque se justificou a criação de um Clube Autocaravanista? Que diferencia o CAS de outros Clubes? Que o motivou a aceitar a presidência da Direcção do CAS?

Dematos – A justificação na sua criação, consta da história do CAS e embora tenha criado alguma renitência no meio autocaravanista mais conservador, o futuro dirá se tivemos razão na atitude tomada.

A diferença do CAS dos outros clubes reside essencialmente no facto de ser um pequeno clube regional e ter uns estatutos que o tornam num clube independente e fora da tutela da Federação Campista.

O que me motivou a aceitar o cargo que exerço, foi o desafio dum projecto aliciante e diferente do habitual para o associativismo autocaravanista.

Sempre pensei que iria ter muito trabalho pela frente e as expectativas estão superadas há muito…

Em Pau - França

CABQue acha da estruturação do movimento autocaravanista? É sócio de mais algum clube?
Dematos - A organização do movimento autocaravanista está muito aquém do que seria desejável.

Dematos - A organização do movimento autocaravanista está muito aquém do que seria desejável.

A falta de uma Federação de Autocaravanismo e alguma indiferença do principal clube em relação aos que entretanto apareceram, tem levado à total desunião e assim não tem havido um rumo orientador com enorme prejuízo para o movimento autocaravanista.

Valha-nos ao menos uma organização sem personalidade jurídica que com alguma influência no meio político tem mostrado visibilidade.

Devo salientar que ninguém se deve pôr à margem do momento que o autocaravanismo atravessa, nem mesmo aqueles que não tendo funções associativas, pertencendo ou não a clubes e utilizando constantemente a crítica, algumas vezes destrutiva, também não têm dado qualquer contributo para uma verdadeira articulação dos mesmos.

No autocaravanismo a memória às vezes é muito curta e quando alguns falam no exemplo espanhol e francês, apetece-me perguntar: onde estavam quando em finais de Abril se perdeu uma excelente oportunidade de reunir toda a gente, clubes, associações e todos os que embora tendo visões diferentes para o desenvolvimento do autocaravanismo, poderiam ter dado um contributo importante à unidade na acção.

Pessoalmente e pelo rumo que isto tem levado, continuo a achar que a Federação do Autocaravanismo continua a ser uma miragem.

Sou associado de mais dois clubes, um de autocaravanismo e outro de motociclismo.

Rio Ceira - Góis

CABComo define o autocaravanismo?

Dematos - .O conceito de Autocaravanismo não é entendido da mesma maneira por todos os que conduzem uma autocaravana. Se para uns, é uma actividade turística e lazer em que imperam as boas práticas e responsabilidade na boa imagem que devemos dar à sociedade, para outros pode ser a bandalheira em que pelo facto de serem proprietários de uma autocaravana lhes confere o direito de fazer o que bem entendem, com consequências nalgumas regiões do país, quase irremediáveis.

De salientar que no autocaravanismo, a componente associativa comporta outras vertentes:

Enriquecimento cultural e desportivo proporcionado aos seus associados e que se traduzem em:

Viagens em grupo de cariz turístico/cultural e actividades físicas tais como cicloturismo, pedestrianismo, jogos populares etc.

Embora estas vertentes façam parte estatutariamente da maioria dos clubes de autocaravanismo, poucos a praticam.

Dinan - Bretanha